você está em:

 


 

Conclusão

publicado em 13/02/2010

É verdade que uma leitura otimista dos dados expostos pode enfatizar positivamente a estagnação dos indicadores aferidos. Afinal, depois da frustração com a Nova República de Sarney, da rápida decepção como o governo Collor, a falta de criatividade do governo Itamar e agora com a instabilidade social agravada pelas políticas neoliberais do governo Fernando Henrique, não seria de se esperar uma piora daqueles indicadores? Sua estagnação não seria sinal de consolidação da cultura democrática? Não seria sintoma de que apesar da insatisfação com os resultados dos governos civis a sociedade estaria demonstrando saber distinguir a democracia, enquanto sistema formal, dos atos de seus representantes?

É possível. Mas ninguém pode prever com segurança até quando pode durar, se verdadeira, essa reserva de credibilidade da democracia. A eleição de 98 foi a terceira direta para presidente, reconduzindo o quarto mandatário em 14 anos, ao fim de cuja gestão terão ocorrido 18 anos de governo civil, quase o mesmo tanto que durou a última ditadura. O previsível agravamento dos problemas sociais que decorrerá da recessão, já admitida pelo próprio governo para o início do segundo mandato, simultaneamente à estagnação dos indicadores de adesão à democracia, apontam para o risco de uma instabilidade política em que a própria democracia pode vir a ser questionada.

Em sua defesa parece não restar muito além de tentar aprofundá-la, sobretudo em sua dimensão participativa e reivindicatória, ampliando a dimensão da cidadania, na esperança de que a democracia seja então percebida por camadas mais amplas da opinião pública como imprescindível tanto como instrumento de realização de justiça social como de exercício da liberdade.

Tags:  
  • Notícias

  • FPA na Rede

  • Serviços

  • Buscar no Site

 

Partido dos Trabalhadores


FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO
Rua Francisco Cruz, 234 - Vila Mariana - CEP 04117-091 - São Paulo - SP - Brasil Fone: (11) 5571-4299 - Fax (11) 5571-0910