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A vitória da esperança

publicado em 25/04/2006

As eleições de 2002 e a conquista da Presidência da República
E, finalmente, o dia tão esperado chegou! As eleições de 2002 encerraram o primeiro grande ciclo histórico na vida do PT. Marcaram também o esgotamento do modelo neoliberal que, por detrás de uma ilusória estabilidade financeira, comprometeu gravemente a estrutura econômica do país, agravando sua situação social e colocando em risco suas perspectivas de futuro.

A vitória resultou da combinação do crescimento praticamente contínuo das votações do partido desde as suas origens com o aproveitamento de lições tiradas das experiências eleitorais anteriores. A estratégia de campanha buscava explorar ao máximo os pontos fortes do partido e da sua candidatura, diluir os fatores de resistências existentes contra eles em setores do eleitorado e catalisar o crescente descontentamento com a situação econômica, política e social do país.

Enfrentando os prognósticos daqueles que consideravam impossível a superação dos limites alcançados nas eleições anteriores, Lula foi escolhido pela quarta vez como candidato presidencial do PT, em prévia interna da qual também participou o senador Eduardo Suplicy.



As resoluções do XII Encontro Nacional realizado em dezembro de 2001, em Recife, estabeleciam a possibilidade da ampliação do arco de alianças a partidos ou setores partidários de centro que tivessem realizado oposição ao governo Fernando Henrique Cardoso. Com base nessas diretrizes, foi estabelecida coligação com o Partido Liberal (PL), que indicou o candidato a vice-presidente, o senador por Minas Gerais e empresário do setor têxtil, José Alencar.

A presença de Alencar na chapa presidencial – apoiada também por PCdoB, PMN e PCB – contribuiu para impulsionar o trabalho que o próprio PT já vinha realizando com o objetivo de conquistar a adesão de setores do empresariado ao projeto de retomada do crescimento econômico associado ao enfrentamento dos graves problemas sociais que afligem o país, como o desemprego e a fome.

A origem social dos candidatos a presidente e a vice expressava também a proposta de um “novo contrato social”, ensaiado ao longo da campanha nos debates de propostas com um amplo conjunto de organizações representativas dos mais diversos setores da sociedade brasileira. Como o próprio senador Alencar enfatizou repetidas vezes, esse processo se articula à luta em defesa da centralidade do trabalho e da produção, ameaçados pelo primado da economia virtual de base financeira.

A eleição trazia também coincidências que indicavam bons presságios para Lula, a começar pelo fato de ocorrer exatos 13 anos após sua primeira candidatura, na histórica campanha de 1989. Em 2002, o primeiro e o segundo turnos foram marcados para as datas de aniversário do candidato: o primeiro para o dia que consta no seu registro de nascimento (6 de outubro) e o segundo para o dia em que realmente nasceu (27 de outubro).

Os presentes vieram na forma de votações consagradoras. Lula bateu o recorde de votos atribuídos a um candidato no primeiro turno, chegando a 39.443.765 (46,4% dos votos válidos).

No segundo turno, Lula confrontou-se com José Serra, que ocupara os cargos de ministro da Saúde e do Planejamento do governo Fernando Henrique Cardoso. Recebeu o apoio do terceiro e do quarto colocados, os ex-governadores Anthony Garotinho, do Rio de Janeiro, e Ciro Gomes, do Ceará, assim como de um amplo leque de partidos e de lideranças políticas dos mais diversos matizes. Concluída a apuração, foi proclamado o 39o brasileiro a ocupar o cargo de presidente da República, com a marca de 52.793.364 votos (61,27% dos votos válidos), a maior votação nominal já registrada nas 19 eleições diretas para o cargo na história do país e a segunda maior já atribuída a um candidato em todo o mundo.
As votações dos candidatos a governador do partido também cresceram na grande maioria dos estados, e três deles foram eleitos. No primeiro turno, Jorge Viana conquistou a reeleição no Acre, com 63,58% dos votos válidos, e Wellington Dias foi eleito no Piauí com 50,9%. No segundo turno, Zeca do PT foi reeleito no Mato Grosso do Sul, e o partido disputou em mais sete unidades da federação (Amapá, Ceará, Distrito Federal, Pará, Rio Grande do Sul, Sergipe e São Paulo), em muitas das quais era dada como certa a eleição de outro candidato já no primeiro turno. Além disso, em quatro dos maiores colégios eleitorais (Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Rio de Janeiro) os candidatos petistas ficaram em segundo lugar com expressivas votações, embora não tenha chegado a ocorrer segundo turno.

Uma indicação clara da consistência do crescimento do PT foi o seu desempenho na eleição de parlamentares, que superou as mais otimistas expectativas. O partido elegeu a maior bancada federal, 91 deputados, o que representou o crescimento de 51,6% em relação aos 60 eleitos em 1998. Duplicou sua representação no Senado, de 7 para 14, com a eleição de 10 senadores, entre eles Aloizio Mercadante, que recebeu em São Paulo o recorde histórico nacional de 10.491.435 votos. Saltou ainda de 92 para 147 deputados estaduais, o maior número entre todos os partidos brasileiros, tornando-se a única agremiação com representantes nos parlamentos de todas as unidades da federação.

Um dado qualitativo da maior relevância nesse crescimento parlamentar diz respeito à representação feminina. O PT elegeu 14 deputadas federais, um terço do número total de mulheres eleitas para a Câmara. No Senado, as seis representantes petistas passam a constituir, 43% da bancada do partido.

A conquista da presidência da República e a consolidação do PT como a maior força política nacional foram saudadas por imensas celebrações nas ruas, sem precedentes na história eleitoral do país. A eleição do primeiro presidente de origem popular marca um singular momento histórico, em que “a esperança venceu o medo”. Demonstra também, que o povo brasileiro já está maduro para se autogovernar e que a nação, recusando o legado de séculos de opressão e exploração, dá os primeiro passos rumo a um futuro condizente com os seus imensos potenciais naturais e humanos.

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