ano 14 - nº49 - out/nov/dez 2001 - R$ 8,00 - comprar
Artista: Paulo Climachauska

Apresentação
Sem dúvida ainda é cedo para avaliar as conseqüências que os atentados terroristas de 11 de setembro em Nova York trarão para o mundo, mas pode-se afirmar que de alguma forma ele não será mais o mesmo.
A fim de contribuir para uma melhor compreensão do que está acontecendo, mudamos a pauta da revista de forma a trazer um bloco enfocando sob os mais diversos aspectos o mundo pós-11 de setembro. Assim, a jornalista canadense Naomi Klein e o escritor paquistanês Tariq Ali analisam as decorrências políticas dos atentados; o professor Reinaldo Gonçalves discorre sobre seus efeitos nas crises econômicas norte-americana e internacional que já vinham em curso; o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães nos fala sobre os processos de transformação que vêm ocorrendo no mundo; a professora Walnice Nogueira Galvão aborda como a literatura e o cinema americanos vêm revelando - desde o tempo da Guerra Fria - sintomas de que, por algum resíduo em seu imaginário, os EUA suspeitavam que suas ações estimulavam o revanchismo e os expunham à desforra.
Mas outros temas relevantes são também tratados nesta edição. Se a situação internacional ganhou outra dimensão, ao nosso lado a Argentina se arrasta há anos numa profunda e generalizada crise. Enviamos a Buenos Aires a argentino-brasileira Ana Maria Stuart, especialista em relações internacionais, que entrevistou dois dos mais importantes intelectuais argentinos da atualidade: Atílio Borón e Beatriz Sarlo, que nos explicam as raízes do drama vivido pelo país que era considerado o mais avançado da América Latina.
Ainda na seção "Internacional", a psicológa Edna Roland - relatora-geral da III Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata - nos dá um panorama do que ocorreu em Durban.
A menos de um ano das eleições gerais no Brasil, o professor Juarez Guimarães analisa os possíveis cenários dessa ainda longa travessia; o deputado federal Aloizio Mercadante e a economista Maria da Conceição Tavares defendem, e o economista João Machado critica, o documento "Um outro Brasil é possível", lançado pelo Instituto Cidadania, que vêm causando muita polêmica dentro e fora do PT.
Na seção "Memória" Hélio Bicudo, um dos mais destacados defensores dos direitos humanos no país e atual vice-prefeito de São Paulo, nos relata sua trajetória de lutas.
Em "Comportamento", a psicanalista Maria Rita Kehl nos mostra como em muitos casos no Brasil se privatiza aquilo que é público e se publiciza o que é privado.
Em "Cultura", o professor Antonio Candido resgata a importância da obra de Vinicius de Moraes - que é o poeta desta edição - na literatura brasileira.
Conselho de Redação
Sumário:
Argentina decreta estado de sítio
Internacional
A crise na Argentina
A crise política
Entrevista com Atílio Boron
por Ana Maria Stuart
A crise de identidade
entrevista com Beatriz Sarlo
por Ana Maria Stuart
Especial 11 de Setembro
Freios de arrumação ou descarrilhamento?
Reinaldo Gonçalves
A guerra do videogame terminou
Naomi Klein
Uma solução política é necessária
Tariq Ali
À procura de um inimigo
entrevista com Samuel Pinheiro Guimarães
por José Corrêa Leite
Fantasmagoria de desforra
Walnice Nogueira Galvão
Nacional
A travessia
Juarez Guimarães
Debate
Eixos de um novo modelo
Aloízio Mercadante e Maria da Conceição Tavares
Um programa anacrônico
João Machado
Memória
Hélio Bicudo
por Paulo Vannuchi e Rose Spina
Sociedade
Racismo no mundo: a caixa de Pandora
Edna Maria Santos Roland
Comportamento
A dialética brasileira entre o público e o privado
Maria Rita Kehl
Cultura
Um poema de Vinícius de Moraes
Antonio Candido
Livros
O século XX, organizado por Daniel Aarão Reis Filho, Jorge Ferreira e Celeste Zenha
por Fernando Teixeira da Silva
Poeta da edição: Vínicius de Moraes
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