Uma Revolução Perdida – A História do Socialismo Soviético
Daniel Aarão Reis Filho, Editora Fundação Perseu Abramo, 2a edição, 2007, 319 páginas
A Revolução Russa de 1917 foi um dos mais importantes acontecimentos do século 20. Marcou a política, a economia, a cultura, as artes e muitos outros aspectos da vida social. A primeira edição desta publicação saiu em 1997 e a segunda edição em julho deste ano. Nela, o historiador reconstrói a trajetória do socialismo soviético e seus antecedentes, ao mesmo tempo que aponta para tendências da Rússia depois de 1991. Ele se apoiou em ampla e qualificada bibliografia e estrutura sua narrativa a partir de uma sólida cultura sobre a história do socialismo, apresentando um quadro completo dessa aventura humana, desde suas origens e eclosão até sua recente desagregação, com um primeiro balanço das experiências neoliberais pós-perestroika.
História da Internacional Comunista 1919-1943
Pierre Broué, Editora Sundermann, 2007, 1.351 páginas
Dividida em dois tomos, a obra do historiador Broué mostra como, na esteira da Revolução Russa, um grupo de revolucionários de diversos países, para garantir a continuidade da obra revolucionária da então moribunda internacional socialdemocrata, reuniu-se e decidiu que era tempo de construir outro partido mundial. Nascia a III Internacional, ou Internacional Comunista. No primeiro tomo, A Ascensão e a Queda, o autor, especialista em movimento comunista, analisa a trajetória da organização. Fundada em 1919, até 1923 sua existência foi dedicada à construção da revolução mundial, e os instrumentos teóricos forjados nessa luta até hoje são úteis aos militantes revolucionários. No segundo tomo, Da Atividade Política à Atividade Policial, são retratados os dez últimos anos de existência da III Internacional e a sua trágica transformação operada sob a hegemonia de Stalin na orientação da Internacional Comunista: de entidade com atribuições de coordenação da revolução mundial, passou a organismo de direção de uma federação de partidos comunistas que atuava como guarda-fronteiras da política externa da URSS.
Às Portas da Revolução –Escritos de Lenin de 1917
Slavoj Zizek, Boitempo Editorial, 2005, 350 páginas
0 pensador esloveno se contrapõe ao consenso liberal para resgatar o Lenin estrategista, que vai desde a oposição pacifista à guerra interimperialista de 1914 até o dirigente da virada revolucionária de 1917 – "o Lenin de quem ainda temos o que aprender", escreve Zizek. Ele retoma o fio da meada da aventura revolucionária dos bolcheviques, sob a direção de Lenin, com textos daquele período "em que o extraordinário se torna cotidiano" e com reflexões que adentram as várias dimensões do processo revolucionário. Apresenta o Lenin intelectual e faz uma espécie de acerto de contas com o líder precocemente enterrado. Situa os textos de 1917 em seu contexto histórico e explica por que não se deve voltar a Lenin, mas repetir o gesto leninista que fundou o projeto socialista na época do imperialismo e do colonialismo.
O Século Soviético –Da Revolução de 1917 ao Colapso da URSS
Moshe Lewin, Editora Record, 2007, 500 páginas
Com a recente abertura dos arquivos da URSS, o polonês Moshe Lewin destaca demografia, economia, cultura e repressão política, apresentando um estudo da história e da ideologia soviéticas, e mostra os movimentos internos de um sistema ainda hoje mal compreendido. Ao contrário de outros trabalhos sobre a história social da União Soviética, o autor volta-se para a questão da classe rural e não trata o proletariado e o papel de liderança imputado a ele, como fazem outros historiadores. Para Lewin, a Rússia era um país rural cuja rápida modernização produziu cidades "camponesas" e uma burocracia com a mesma característica.
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