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Internacional: Entrevista com Nicola Bullard

Teoria e Debate nº 50 - fevereiro/março/abr de 2002

publicado em 22/04/2006


Nossa força é a diversidade

Nicola Bullard é figura destacada do movimento contra a globalização neoliberal. Australiana, vive há muito tempo em Bangcoc, na Tailândia, onde atualmente integra o Focus on the Global South, um dos mais importantes centros de pesquisa vinculados ao movimento. Participante do I e do II Fórum Social Mundial e integrando seu Conselho Internacional, ela nos oferece uma visão do movimento e do fórum de uma ótica diversa da que temos normalmente nos confrontado no Brasil, o que nos permite vislumbrar seu efetivo alcance internacional

A seguir leia trechos da entrevista concedida a José Corrêa Leite*.

Focus
Focus on the Global South, prefiro chamá-lo pelo nome completo porque essa idéia de Sul Global é muito importante para explicar nossa visão do mundo. Obviamente a globalização é um processo totalizante, mas há muitas pessoas em muitos países que são sistematicamente excluídas do processo porque ele é competitivo. Portanto, há perdedores e em sua maioria estão no Sul, mas também há perdedores no Norte. A idéia é de que há perdedores em ambos hemisférios que, de certa maneira, tornam-se um Sul Global. Esse é um aspecto muito importante de nossa visão de mundo, porque nesse sentido é diversa da visão pós-colonial, terceiro-mundista de antiimperialismo. Claro que é uma visão baseada no antiimperialismo, mas traz em si um aspecto novo quando destaca a existência de um potencial de solidariedade entre as populações marginalizadas do Norte e do Sul. Essa perspectiva é uma das tendências fortes do movimento contra a globalização neoliberal.

Trabalhamos com pesquisa de políticas públicas, produzimos boletins e relatórios, estamos ligados a diversas redes de direitos humanos, de questões ambientais, de paz e desarmamento, de desenvolvimento, particularmente na região. Organizamos conferências, seminários e atividades visando juntar grupos de pessoas de orientações diversas. Também trabalhamos com as organizações locais na Tailândia, possibilitando-lhes melhor compreensão e recursos para que participem do debate sobre políticas nacionais e internacionais.

Esse aspecto do trabalho é muito importante, sobretudo quando começamos a examinar o impacto da globalização neoliberal da perspectiva das pessoas, porque precisamos compreender como suas vidas são afetadas. Além disso, quando falamos em alternativas, precisamos saber das pessoas o que elas querem, que tipo de vida estão buscando, de quais instituições necessitam, que relações sociais buscam desenvolver e qual o papel do mercado em sua visão. E isso implica poder trazer alternativas concretas para a realidade. (...)

Crise Asiática
Até a crise financeira, os chamados Tigres Asiáticos – as Filipinas, a Tailândia, a Indonésia – perseguiam um modelo de desenvolvimento particular, com crescimento orientado para a exportação baseado em pesados investimentos externos, para ganhar mais mercados exportadores para suas manufaturas e, em menor grau, para seus produtos agrícolas. E estavam sendo bem-sucedidos, tendo atingido um nível considerável de crescimento, de prosperidade, onde há uma grande classe média como resultado dessas políticas. Mas, na verdade, esses países não estavam praticando neoliberalismo, já que seguiam um modelo que havia sido desenvolvido na Coréia e em Taiwan, em Cingapura e Hong Kong, no qual havia uma alta dose de intervenção do Estado direcionando investimentos, protegendo certos setores, utilizando muita tecnologia do Japão e dos Estados Unidos. Assim, o modelo de desenvolvimento não era neoliberal uma vez que havia muita regulação e intervenção estatal.

O sucesso da Coréia, por exemplo, foi baseado numa política redistributiva forte e agressiva por parte do governo. No começo da década de 50, houve uma grande reforma agrária na Coréia, enormes investimentos em educação e na indústria, que era fortemente protegida pelo Estado porque os coreanos estavam se capacitando antes de se arriscarem a entrar no mercado global.

Países como Indonésia, Tailândia e Filipinas tentavam emular esse modelo, mas cada vez mais viam-se sob forte pressão do Banco Mundial e do FMI para liberalizarem o setor financeiro e o comércio. Então, à medida que perseguiam seu modelo particular de desenvolvimento, de crescimento baseado em exportação, expunham diversos setores de suas economias a produtos importados, tornando-se cada vez mais dependentes dos mercados financeiros. Isso ocorria porque os níveis de comércio passaram a declinar não apenas no setor agrícola mas também nas manufaturas, porque o mundo só pode consumir um certo número de microchips, torradeiras etc. Houve diminuição nos retornos e as economias não conseguiam progredir para o nível do retorno obtido por meio do valor agregado de seus produtos. Esses países passaram a receber receitas cada vez menores por seus produtos, ao mesmo tempo que, por terem suas moedas atreladas a um dólar que se supervalorizava, tornavam-se menos competitivos no mercado global. Essa diferença na arrecadação cambial passou a ser financiada por dinheiro de curto prazo obtido nos mercados financeiros, o que tornou esses países extremamente vulneráveis a ataques especulativos. (...)

Quando todo o sistema financeiro entrou em colapso em decorrência da somatória de empréstimos não saldados com a fuga de capitais, a dívida externa subiu e o custo das importações cresceu, ao que se aliou o tremendo custo de refinanciar dívidas aumentadas. (...)

Pobreza
Esse foi o caso de muitos países da Ásia. Para os agricultores é quase impossível que ganhem o suficiente para subsistir unicamente com o trabalho do campo, porque o preço das commodities está muito baixo, estão competindo com o agribusiness, dispõem de pouca terra... Isso os torna dependentes das economias urbanas para complementarem a renda rural. Essa possibilidade ruiu, forçando muitas pessoas a retornarem ao campo, onde muito mais gente passou a dividir cada vez menos dinheiro. Observa-se então aumento da pobreza, em termos absolutos, nas áreas rurais. Enquanto em um plano há crise pessoal e problema social dramático para dezenas de milhares de famílias da Tailândia, no terreno político ofereceu-se uma oportunidade ímpar de examinar as políticas do Banco Mundial e do FMI e do papel do mercado financeiro e questionar o modelo de desenvolvimento como tal. (...)

Banco Mundial, FMI e OMC
Da maneira como vemos, o Banco Mundial, o FMI e a OMC são instituições absolutamente essenciais para o neoliberalismo porque, seja por meio do poder financeiro, seja pelo poder do sistema comercial baseado em regras impostas por essas instituições, são capazes de determinar as políticas econômicas e comerciais dos países em desenvolvimento. Têm enorme poder de coerção, grande influência sobre esses países e, no caso da OMC, dispõem de fato de um sistema de regras e mecanismos de resolução de disputas e sanções que compelem os países a segui-las.

Assim, ao estabelecermos esses vínculos entre as três instituições e vê-las como instrumentos do neoliberalismo, e os elos entre as políticas de liberalização comercial promovidas pela OMC e as políticas de liberalização financeira do FMI, nos capacitamos para mostrar que o sistema tem uma lógica. Rejeitamos a lógica do sistema porque ele diminui a autonomia das pessoas e dos governos para estabelecerem políticas econômicas que, de fato, beneficiem as populações. As pessoas passaram a olhar para os impactos dessas políticas. Vimos centenas de milhares de pessoas perdendo seus empregos, tornando-se mais pobres...

Coréia
(...) Na Coréia, a KCTU (central sindical) tem sido eficiente ao verbalizar sua oposição ao neoliberalismo e ao sistema antigo e na busca pelo novo: “Rejeitamos o FMI e também rejeitamos o sistema antigo, a união corrupta entre um governo forte e o chaeboll”. Os grupos na Coréia prepararam-se bem para enfrentar o novo cenário, porque lutaram durante anos contra um sistema político bastante opressivo.

Tailândia
Na Tailândia, que também padeceu uma longa história de ditaduras militares, a democracia vem crescendo desde o final dos anos 80, a despeito de um sério revés em 1992. Há também distinção bastante aguda entre a classe média urbana, pessoas progressistas, orientadas para os direitos humanos e civis, e a população rural, que está muito mais preocupada com questões de subsistência, terra, água, sustentabilidade e manutenção de um certo modo de vida. Nem sempre há harmonia entre as duas orientações. O movimento mais importante surgido nos últimos anos, a Assembléia dos Pobres, tem se mostrado capaz de assegurar um lugar no debate político. Essa organização de massa composta por grupos de agricultores, trabalhadores informais e alguns pequenos sindicatos, recentemente obteve importante vitória contra um projeto de construção de uma enorme represa, uma luta de dez anos. (...)

Indonésia
A repressão na Indonésia durou mais de trinta anos, e se contarmos o período do domínio colonial dos holandeses, é como um século de feroz repressão. Há enormes diferenças no tocante à distribuição da riqueza, ao equilíbrio de poder e à cultura. A Indonésia é bastante variada do ponto de vista cultural. É um arquipélago com milhares de ilhas e as mais variadas culturas: hindus, budistas, cristãos, muçulmanos, animistas. E, por conta dos longos anos de repressão, sem uma sociedade civil e instituições capazes de absorver o impacto sobre o sistema. Nesse vácuo, as instituições mais poderosas reforçam seu poder e, no caso da Indonésia, o poder vem a ser de cunho fundamentalista islâmico, porque as fundações islâmicas estão presentes no plano das estruturas institucionais. Mas talvez os militares venham a assumir o poder.

(...) O que está acontecendo na Indonésia é uma espécie de transmissão de poder sem poder e sem recursos. Os conflitos de que temos ouvido falar nas Moluccas e em Aceh baseiam-se até certo ponto em questões culturais e religiosas, mas precipitados pela crise econômica que atingiu o país e empurrou as pessoas para uma situação desesperadora e uma acirrada luta pelos recursos.

Índia
(...) Sua principal liderança, Medha Patkar, ajudou a construir um novo paradigma de rejeição ao imperialismo, à dominação ocidental, à maneira anglo-saxônica de pensar, ao projeto de globalização – eu diria que ela sistematiza uma profunda rejeição à idéia de modernidade embutida no atual modelo de desenvolvimento. Na Índia, por ser um país profundamente intelectual, há uma crítica muito arraigada, que não é apenas aos impactos materiais gerados por um tipo de modelo de desenvolvimento, mas uma crítica a partir de uma ótica que examina os impactos culturais, sociais e espirituais da dominação exercida pela lógica econômica, destrutiva e que vem de fora. Aí, percebe-se que os movimentos se opõem tanto aos governos locais como à globalização porque, para eles, os inimigos são os mesmos. Mas ainda que haja um forte movimento social na Índia, ainda não assumem presença internacional, essa ligação é algo que ainda precisa ser construído.

Isso é muito importante, porque a Índia é um país tão grande, com uma população enorme e tamanha diversidade interna que para seus movimentos a realidade é a realidade da Índia. Somente hoje, com a liberalização da economia nacional, é que a importância e o impacto da globalização começaram a se fazer sentir. Há uma enorme resistência à OMC, alguns dos melhores trabalhos sobre o Tratado sobre Patentes e Propriedade Intelectual (Trips) foram feitos por pessoas como Vandana Shiva, que representam a vanguarda da crítica aos impactos destes acordos na cultura e no mercado locais. Creio que há uma importante tarefa a realizar no sentido de encontrar um caminho para que os movimentos nacionais, na Índia, na Indonésia, na Tailândia e em outras partes possam participar mais ativamente de eventos como o Fórum Social Mundial.

Desglobalização

(...) Há múltiplas alternativas e eu acho que a dimensão hoje mais importante em nosso trabalho como movimento é desconstruir, como costumamos dizer, desglobalizar, de forma que as pessoas possam exercitar o livre arbítrio e criar novas estruturas, novas soluções, para problemas que não têm solução há séculos e que foram agravados pelo universalismo mercantil.

Formulamos a idéia da desglobalização, nas discussões no Focus, a partir de nossa experiência no contexto do Sudeste Asiático, em sociedades em que a presença das formas de organização e da cultura anterior à sua inserção no processo de mercantilização generalizada é ainda forte.

Com desglobalização não estou, naturalmente, falando de retirar os países do Sul da economia internacional, mas de reorientar suas economias, ao invés da produção visando a exportação, a produção visando o mercado local. É o redirecionamento da maioria dos recursos financeiros para o desenvolvimento interno, ao invés de nos tornarmos dependentes de investimentos estrangeiros e dos mercados financeiros internacionais. Trata-se de implantar as medidas, há muito adiadas, de redistribuição da renda e da terra para criar um mercado interno dinâmico, que funcione como âncora da economia, retirando a ênfase do crescimento quantitativo, medido em termos mercantis, para maximizar a eqüidade, permitindo reduzir radicalmente os desequilíbrios ambientais. Isso exige não deixarmos as decisões econômicas estratégicas para o mercado, mas submetê-las à escolhas democráticas, sujeitando o setor privado e o Estado ao constante monitoramento da sociedade civil organizada. Significa criarmos um novo complexo de produção e trocas que inclua cooperativas comunitárias, empresas privadas e estatais e exclua as corporações transnacionais, integrando o princípio da subsidiaridade na vida econômica, encorajando a produção de bens nos planos da comunidade e nacional, caso ela possa se dar aí a um custo razoável, possibilitando preservar a comunidade.

Estamos, portanto, falando de uma estratégia de reempoderamento do local e do nacional em detrimento do global, uma estratégia que subordina conscientemente a lógica do mercado, a busca da eficiência na redução dos custos, aos valores da seguridade, eqüidade e solidariedade social. Trata-se de reinserir a economia na sociedade ao invés de ter a sociedade dirigida pela economia.

Isso só pode ocorrer dentro de um sistema global de governança econômica alternativo. Não devemos ter como meta substituir a tríade FMI-Banco Mundial-OMC, que impõe um sistema monolítico de regras universais, por outro global igualmente centralizado de regras e instituições, operando sobre princípios diferentes, mas também incapaz de trabalhar com a diversidade, nos moldes dos sistemas de planificação burocratizados. Necessitamos de desconcentração e descentralização do poder institucional e a criação de um sistema pluralista de instituições e organismos internacionais, guiados por acordos e compromissos amplos e flexíveis.

G-8

Gênova foi outro momento extraordinário de construção do movimento, marcado por grande violência, com o G-8 realmente preparado para defender seu território. Coordenaram uma repressão violenta porque queriam destruir o movimento e tentar restabelecer a legitimidade de suas instituições. Falharam, no contexto de uma disputa global. Quando voltamos para a Tailândia, por exemplo, depois do final dos protestos, partilhamos informação com os ativistas do país sobre o que se passou e a Assembléia dos Pobres enviou carta ao embaixador italiano em Bangcoc, com cópia para Berlusconi, enfatizando que as pessoas em Gênova os representavam e que eram solidários com elas e suas lutas, que conheciam a experiência de ter seu movimento reprimido.

Em Gênova, neste momento de confrontação, a vontade das pessoas de resistir, se mobilizar e falar, foi extraordinária e ecoou no movimento. As pessoas mostraram sofisticação na compreensão do que estava se passando, como o poder operava e o processo político que estava se dando. (...)

Fórum Social Mundial
(...) O que ocorre no Fórum Social Mundial e, de forma mais geral, no movimento global, é uma real vontade de mantermos o processo aberto, não buscando predeterminar os resultados. De fato, dependendo de onde se vive, a história, a cultura, a realidade econômica e política irão moldar as melhores alternativas, o tipo de soluções políticas, econômicas e sociais que as pessoas estão procurando.

Mesmo que alguns critiquem o movimento global – dizendo, “sabemos que vocês são contra, mas o que vocês querem??” –, penso que temos constantemente de reforçar a idéia de que nos ancoramos na realidade, somos pela diversidade, somos a favor das pessoas fazerem suas próprias escolhas. Isso permite que o movimento absorva as energias das lutas. Quanto mais o movimento é aberto, mais radical ele se torna. Se queremos, de fato, encontrar um espaço para articular realidades muito diversas, as pessoas têm que encontrar espaço para sentir suas próprias identidades e seus vínculos com o movimento e apoiarem as lutas umas das outras. Não se trata de apoiar a ideologia ou o projeto político dos outros, mas apoiar as lutas. Só podemos crescer se houver um real respeito e reconhecimento da legitimidade das inúmeras lutas individuais. As pessoas dizem que nossa diversidade é nossa força sem perceberem bem por quê. Para mim, isso tem a ver com a construção prática do respeito pelas diferentes lutas, o conhecimento de que estamos todos engajados em um projeto que nunca acaba.

A experiência do I Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, no ano passado foi incrível, revelando este potencial, tremenda visão de esperança, mostrando como pessoas comuns do mundo todo sentiam-se da mesma maneira. Isso ajudou a pavimentar o caminho que trilhamos depois.

O que é extraordinário neste II Fórum Social Mundial é a total rejeição a isso, afirmando que nós não seremos subjugados, não retrocederemos. Este sentimento é muito forte. As lutas, as campanhas, as análises, a realidade, os fatos estão lá e não serão varridos pela ignorância da mídia ou a manipulação dos políticos. Algo extraordinariamente importante está se desenvolvendo e não é mais uma aspiração, é realidade.

Fizemos com as pessoas da Ásia uma breve discussão sobre o que representou este II Fórum Social Mundial – só o Focus trouxe uma delegação de 46 pessoas de vários países do Sudeste Asiático. Elas realmente sentem que o Fórum lhes dá um espaço político que não existe em nenhum outro lugar. É um espaço político no qual elas podem articular e amplificar as lutas que travam em suas realidades, uma vez que são continuamente reprimidas e silenciadas em seus países. Elas sabem que suas lutas devem ser locais, que estão lidando com questões como democracia, controle, processos de decisão em seus países, mas no Fórum sentem esta extraordinária comunhão de experiências, esta atmosfera tão envolvente.

Outro aspecto marcante deste evento, neste ano, é o grande número de jovens, talvez vinte mil. Eles representam uma espécie de radicalização e esperança no futuro que não era evidente cinco anos atrás. O fato de que há uma geração de jovens entre quinze e vinte anos que estão tendo a incrível experiência de estarem todos juntos impulsiona a luta. É difícil quando se é uma minoria em um ambiente conservador ou em uma situação política difícil. Mas saber que somos muitos é importante, especialmente que há tantos jovens dá um grande encorajamento.

III Fórum Social Mundial

Há um tremendo potencial em internacionalizar esta experiência, enraizando-a em coalizões locais e nacional. Tomando como exemplo a discussão do pessoal da Ásia, os indonésios já estão organizando uma atividade, os tailandeses estão discutindo o que eles podem fazer etc. Assim, há uma energia real, e ver esta espécie de evento ser parte deste processo, que os liga a um movimento maior, pode realmente ajudar a mobilizá-los em suas próprias lutas. Não é ser internacional simplesmente porque as pessoas necessitam ser representadas, é ser internacional porque as pessoas podem ver que isso realmente as ajuda. É uma abordagem pragmática: ser parte deste processo mais amplo é uma fonte de força e poder no próprio trabalho de cada um.


*José Corrêa Leite é editor do Em Tempo, integra o Conselho de Redação de TD e o Comitê Organizador Brasileiro do FSM pelo Attac.

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