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Detalhes do Livro

Síndrome da antena parabólica, A: Ética no jornalismo brasileiro
Autores: KUCINSKI, Bernardo
Sinopse:

Contundente análise sobre a construção e a função do espaço público configurado pelos meios de comunicação de massa no Brasil, mostrando o papel da imprensa e dos jornalistas em momentos cruciais da nossa história e os interesses aos quais a mídia está submetida.

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presentação de Nicolau Sevcenko
Conheci Bernardo Kucinski no início dos anos 90, durante um ciclo de debates sobre jornalismo e cultura contemporânea, no Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Londres. De reputação já o conhecia muito antes, pelo seu empenho na resistência ao regime militar, sua luta constante pela liberdade e autonomia da imprensa. Na palestra ele falou sobre os rumos da imprensa alternativa no Brasil, exibindo as qualidades que todos lhe admiram: coragem, lucidez, energia crítica, compromisso social e convicção humanista.

É esse mesmo jornalista, crítico, pesquisador e militante que reencontramos nessa coletânea de ensaios, no melhor de seu espírito analítico e independência intelectual. Ele debate o papel do jornalismo no contexto que revela o seu mais pleno significado, o da arena política. Desde os primeiros momentos da gestação da sociedade moderna, a imprensa foi vista como o recurso fundamental para romper o monopólio do poder exercido pelas monarquias absolutistas. Contra o Estado autocrático que se escorava na força, na censura e no segredo para submeter os súditos, os jornais representavam as luzes que viriam debelar as trevas da tirania pelas práticas da informação, da fiscalização e da transparência. Assim se esperava que o poder privado dos reis fosse substituído pela ação consensual da opinião pública informada.

Quando, porém, o Absolutismo foi suplantado e se instalaram os primeiros regimes liberais, a situação estava longe de ser luminosa. A imprensa logo se tornou ela mesma um instrumento de manipulação, distorção e corrupção política, cruamente retratado nas Ilusões perdidas de Balzac. No Brasil, quando no início do regime republicano o jornalismo passou a ter um papel decisivo na condução da vida pública, Lima Barreto fez uma denúncia semelhante. Pela ousadia, sua obra foi submetida a um boicote geral, que comprometeu a carreira do escritor. Fato que comprova não só a pertinência de sua crítica, mas a coragem que ela exige.

É nessa linha que se situam as análises e reflexões de Bernardo Kucinski, reiterando a importância de se equacionar o jornalismo com o conjunto das instituições e práticas indispensáveis para a consolidação da experiência democrática. Suas críticas visam alimentar o debate mais amplo sobre o necessário aperfeiçoamento dos mecanismos pelos quais a sociedade possa ter uma relação mais equilibrada, transparente e participativa com os meios de comunicação. Seu apelo nesse sentido converge com as propostas de outros intelectuais independentes como Noam Chomsky, nos Estados Unidos, ou Hans Magnus Enzensberger, na Alemanha.

O ímpeto polêmico de muitos desses textos se explica por esse seu empenho em suscitar um debate que, além de oportuno e necessário, é também premente num país que luta para escapar de um passado de desigualdade, injustiças e exclusão da população das decisões que determinam seu destino. Contra esse quadro de fundo, Bernardo Kucinski se revela um ensaísta parcial. No sentido em que toma partido e se situa no front da luta pelo avanço democrático. Sua crítica parte de uma posição bem definida e que baliza os seus juízos: a experiência de atuação na imprensa alternativa dos anos 70, que ele próprio define como "uma das últimas grandes manifestações da utopia no Brasil".

Ele conta com ótima companhia para conduzir essa campanha de esclarecimento e emancipação. Muitos dos mais ilustres brasileiros atuaram sistematicamente na imprensa, vendo nela um meio promissor de transformação social e amadurecimento cultural. De Machado de Assis a Euclides da Cunha, de Sérgio Buarque de Holanda a Florestan Fernandes, inúmeros homens e mulheres nas redações provaram e provam dia a dia que jornalismo é coisa séria demais para que o público se contente apenas em consumir notícias.

Nicolau Sevcenko Professor de História da Cultura Departamento de História da FFLCH Universidade de São Paulo

Dados Técnicos

ISBN:2147483647

Páginas:200

Ano:1998

Edição:1

Idioma:portuguesa

Peso:260



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