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Por: José Prata Araújo

Uma das melhores políticas que os governos Lula e Dilma implantaram no Brasil foi a forte redução da vulnerabilidade externa de nossa economia, com a constituição de reservas em dólares de US$ 376 bilhões. O Brasil quebrou três nos governos do PSDB. Com isso, o nosso país teve que aceitar as imposições do FMI para ter acesso aos empréstimos deste organismo internacional porque dispunha de reservas em dólares inexpressivas. Já nas grandes crises atravessadas nos governos do PT, em 2008 e em 2013, o país não quebrou e nem recorreu ao FMI porque contou com grandes reservas em dólares para enfrentar a especulação contra a nossa economia.

Reservas internacionais do Brasil 1994 a 2013 – em US$ bilhões

Ano Valor bruto
1994 38,806
1995 51,840
1996 60,110
1997 52,173
1998 44,556
1999 36,342
2000 33,011
2001 35,866
2002 – FHC 37,823
2003 49,296
2004 52,935
2005 53,799
2006 85,839
2007 180,334
2008 206,806
2009 239,054
2010 –Lula 288,575
2011 352,012
2012 378,613
2013  – Dilma 375,793

Fonte: Banco Central e Ipeadata

FHC quebrou o Brasil três vezes e nenhuma vez com Lula e Dilma

O governo FHC, mesmo com todas as gentilezas oferecidas aos grandes capitalistas internacionais – taxa de juros de até 45% ao ano, privatizações selvagens com venda de empresas a preço de banana, dolarização de grande parte da dívida interna, dentre outras barbaridades – nunca conseguiu acumular reservas expressivas em dólares. Elas eram de apenas US$ 37,823 bilhões no final de 2002. Seu valor era ainda menor, de US$ 17 bilhões, sem os empréstimos do FMI. Foi por não possuir uma posição robusta nas reservas em dólares que o Brasil quebrou três vezes com FHC,

em 1997/1998, na crise asiática e russa; em 2001, na crise da Argentina; e em 2002, quando o terrorismo tucano/pefelista destroçou a credibilidade do Brasil. Foram crises de pequena intensidade e que não serão mais que notas de pé de página na história econômica, tendo o Brasil recorrido ao FMI e aceito suas políticas recessivas e privatistas. Foram nestes três anos, que as monumentais taxas de juros fizeram explodir a dívida pública brasileira.

Nos governos Lula e Dilma, para blindar a nossa economia contra as crises externas de grande magnitude, o Brasil conseguiu acumular reservas em dólares como nunca antes nesse país, num total de US$ 375,793 bilhões, agora em 2013. Com isso, crises de grande magnitude como a de 2008/2009 e outra que atingiu os países emergentes mais recentemente, em 2013, em função da redução dos estímulos monetários dos Estados Unidos, encontraram uma economia mais robusta aos abalos na economia internacional. Com isso, Lula e Dilma não tiveram que recorrer ao FMI, pela primeira vez na história brasileira os pobres não pagaram a conta da crise, o país continuou crescendo, ainda que em ritmo menos acelerado, a geração de empregos continuou crescente e a pobreza e a extrema pobreza continuaram em firme declínio.

Se Lula tivesse seguido os conselhos da oposição demotucana teria quebrado o Brasil na grande crise de 2008/2009. Não foram poucos os tucanos e economistas aliados que se colocaram contra a elevação do patamar das reservas. Um deles foi André Lacerda, editor do Portal do ITV – Instituto Teotônio Vilela, do PSDB, que, no artigo “Sem motivo para comemorar”, criticou “a armadilha das reservas-monstro”, afirmou que “economistas têm se dedicado a calcular quanto empilhar reservas tem custado ao pobre Brasil” e que o crescimento das reservas tornou-se “uma dor de cabeça”. Ele se referia aos custos fiscais de se manter reservas elevadas.

Não podemos aceitar a volta dos fantasmas do passado. Vamos manter firmes na direção de uma economia mais robusta e menos vulnerável, com mais desenvolvimento, fortalecimento das reservas internacionais e FMI nunca mais. O outro caminho é o retorno do neoliberalismo de FHC, com mais vulnerabilidade de nossa economia e o retorno ao FMI e seus ajustes privatistas e antipopulares.

Como disse o presidente do PT, Rui Falcão: “A sociedade brasileira quer mudar, mas pensando no futuro e não em um passado que ela repudiou de forma reiterada e contundente nas três últimas eleições presidenciais”.

José Prata Araújo, é economista e autor dos livros Um retrato do Brasil – Editora Fundação Perseu Abramo (2006) e O Brasil de Lula e o de FHC – Bis Editora (2010)
Veja outros posts da série “Futuro X Passado” no 
www.blogdojoseprata.com.br, seção “O Brasil do PT e o do PSDB”. 

 

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