A manifestação, marcada para o dia 13/12 (segunda-feira), na sede da ABI, às 18h30, acontece no dia em que o famigerado AI-5 (Ato Institucional nº 5), tido como o golpe dentro do golpe, completa 42 anos. Durante o evento, será lançado o Prêmio CUT- Democracia e Liberdade Sempre, através do qual a central, todos os anos, sempre dia 13 de dezembro, homenageará personalidades e entidades destacadas na luta contra a opressão e em defesa da democracia. A sede da ABI fica rua Araújo Porto Alegre, 71, Centro do Rio. O vice-presidente nacional da CUT José Lopez Feijóo, em curta entrevista ao Portal da FPA, explica o significado desta manifestação.
Portal da FPA- Qual é o significado deste ato organizado pela CUT?
José Lopez Feijóo - Entendemos que toda ditadura tem que ser repudiada, e aprofundar, valorizar a democracia é importantíssimo para nós. O movimento sindical esteve subjugado durante a ditadura e está em todas as ditaduras, assim como os movimentos sociais, o direito à comunicação, o direito à expressão e a liberdade é um valor fundamental e segundo nós tivemos recentemente uma escalada preocupante de um pensamento neofascista que aflorou na campanha eleitoral, por exemplo, aonde parece que se tenta equiparar a crime lutar contra a ditadura e lutar contra a ditadura é um direito ecrito na Declaração Universal dos Direitos Humanos, é um valor fundamental. Então nós entendemos que a luta e a valorização da democracia, reafirmando, inclusive, o heroísmo daqueles e daquelas que sofreram que foram perseguidos pela ditadura militar, que tiveram coragem de enfrentar a ditadura é mais do que simplesmente resgatar a memória, é a reafirmação dos valores democráticos.
Portal da FPA - Além de atos como este, que seria necessário hoje para dialogar com a juventude, que não viveu o período da ditadura militar e que não tem referência próxima aos fatos deste período?
José Lopez Feijóo -Nós temos que fazer é refletir que parte disso se dever a um sistema educacional que esconde a história do povo brasileiro, basta ver que até hoje a ditadura não é tratada como ditadura, é tratada nos livros e em muitos lugares, inclusive textos oficiais, como se fosse uma revolução. E não ela não foi, foi um golpe. A primeira coisa é essa, dar o verdadeiro nome às coisas, o nome que as coisas tem. Essa forma da elite brasileira mascarar tem responsabilidade sobre a cultura formada a respeito dos fatos. Segundo, lembrar que os meios de comunicação no Brasil são comprometidos com os pensamentos da elite só ficaram contra a ditadura quando lhes foi conveniente. Muitos destes organismos de comunicação e de imprensa se fortaleceram durante a ditadura e apoiaram a ditadura. Quero lembrar que recentemente a Folha de S.Paulo chegou a fazer um editorial classificando a ditadura de "ditabranda", o que gerou protestos na sede do jornal. Então esse mascaramento da história precisa ser revertido. Tem papel nisso os movimentos sociais, tem papel o movimento sindical, o partido tem importante papel através das suas publicações, das suas instâncias informativas. Nos movimentos sociais, por exemplo, já entraram fortemente neste debate. Mais do que isso, precisamos produzir capacidade de diálogo com a juventude. Qual a linguagem? Eu tenho duas juventudes acumuladas, tenho 60 anos, então a minha linguagem é uma linguagem que aprendi ao longo da minha vida, eu não sou, por exemplo, um "conectado em rede, solitário socialmente". As pessoas estão todas em rede, mas para falar com a pessoa ao lado manda-se um e-mail, quando seria mais fácil falar com ela. Então essa coisa da relação pessoal, do individualismo exacerbado que tem sido vendido como forma de ascensão e de liberdade sufoca os valores e a importância do coletivo e nós só converter se tivermos capacidade de inovar na linguagem pelos meios de comunicação em que a juventude trafega, estar dialogando com eles e investir em formação e comunicação.
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